terça-feira, 8 de dezembro de 2009

DE REPENTE

De repente, acordo no horário.

De repente, o dia está bonito.

De repente, o ônibus passa cedo.

De repente, pego o trem na hora sem estar lotado.

De repente, até arrumo um lugar pra sentar.

De repente, chego no horário.

De repente, meu chefe está de bom humor.

De repente, o almoço está bom.

De repente, não tenho azia.

De repente, não pego trânsito.

De repente, consigo tocar bem.

De repente, resolvo coisas pequenas.

De repente, tudo dá certo.

De repente, me sinto longe do mundo e mais perto de mim.

De repente, seja menos infeliz.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O SONHO (NÃO) É POPULAR

E essa confusão, nutrida por um desejo intenso de vingança oriundo de nenhum crime absurdo?

Ninguém entende isso, e não é pra entender. O senso vem das sombras que cada um faz em suas árvores firmes, delicadas. O extravaso é a vazão, é uma manifestação química transformada em força da alma, algo que não existe naturalmente e é disparado de armas cujas balas furam com toda a velocidade.

Olho e vejo um, dois, três nômades perdidos, no sereno do calor noturno, mantidos por boa vontade e por uma esperança vã, de querer ver o amanhã e o que vem depois, sem a menor garantia de que o lar ideal vem para proteger o amor de suas contrariedades.

Uma vontade de vencer sem ver, de não se deixar cegar apesar das forças contrárias, uma vontade que impede o desejo intenso de destruição para deixar nascer o novo, para colocar as peças nos lugares certos, para a transformação do que está escondido e nunca será revelado.

domingo, 29 de novembro de 2009

DISORDER

Não cabe mais ninguém em São Paulo. Isso não é uma opinião isolada. Estamos numa 'Mumbai' sem planejamento residencial e comercial desde sempre. Digo 'Mumbai' porque, ao contrário do que muitos pensam, São Paulo não é exatamente um pólo de pesquisa e desenvolvimento. São Paulo é uma enorme filial de tudo, que dança conforme as matrizes de países desenvolvidos. As empresas locais são sufocadas. As empresas daqui, em maioria, são centrais de produção, atendimento e distribuição, que, por script, são regidas por diretrizes das matrizes de lá. As pessoas também são regidas assim, pela vontade dos outros, pela vida dos outros, pelo sistema que os outros criam em benefício próprio.

Aqui, o trânsito de paralizar carros, pessoas, rodovias, de trancafiar a qualidade de vida em meios lotados e em quadrúpedes infláveis continua aumentando, descaradamente. Os metrôs e estações são como escadas rolantes de materiais humanos que sabem exatamente o que precisam fazer de segunda a sexta: trabalhar como pequenas engrenagens comuns, cinzentas e sólidas. Nos finais de semana, também sabem exatamente o que fazer: dormir, ver TV, comprar, dormir, ver TV, comprar, se entorpecer, ver TV, dormir e consumir: como um desabafo, como pagar por coisas que as façam parecer menos cinzentas, menos sólidas, mais próprias, particulares, personalizadas.

Ah, a solidão: os amigos sugam, os compromissos sugam, o círculo social se torna um liquidificador de tempo, a família, os parentes velhos por quem demonstramos afeto antes de morrer, os shows que nunca mais veremos, os favores que precisamos fazer sem visão de investimento, apenas por lealdade. As conversas, o conhecimento próprio, que como um parabrisa tira a sujeira da vista pra mostrar imundices da alma.

Dinheiro, o capitalismo que envolve tudo e todos numa teia de interesses. Porque nós, animais, iguais, burros, egoístas, estúpidos e cegos precisamos de coisas maiores, menores, diferentes, deformadas?

Somos ensinados a ser individuais o tempo inteiro, a ser mais competitivos, a superar os outros, a concorrer com os outros, a fazer o melhor de si pensando em si, a trabalhar não visando o bem comum. Aprendemos a ser narcisistas e individuais a vida inteira, como um curso intensivo natural. E nenhuma força política que favorece uma minoria pode ser quebrada pela coletividade partida em fragmentos individuais.

Somos diferentes entre si com necessidades essenciais iguais, e não uniformes com necessidades diferentes.

Dinheiro, recursos, vontades, desejos, amigos, parentes, saúde, trabalho, ensejos, tudo numa roda-gigante desregulada, oval, quadrada, enferrujada. Não quero ter filhos. Quero sofrer sozinho, sendo um habitante urbano, solitário, inserido no inferno invisível e indolor que nos cerca.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A VIDA É MAIOR QUE MUITAS FASES FILOSOFAIS

O amor está em baixa, não desfila, nem é grife. A maioria das pessoas nascem com escolhas restritas e liberdades condicionais. Os sonhos desgarraram-se da inocência e do encanto e aderem à gadgets de tecnologia milagrosa e à conquista de bens essenciais: um lar, um carro e uma companhia fisicamente atraente, humilde e leal, como religiosamente aparece na novela como uma personagem cega de uma só face.

A molecada criada a leite com pêra não questiona os atuais paradigmas, passam chapinhas nos cabelos e choram por tragédias banais, saem para brincar, se embreagar, para descobrir o mundo sem a menor responsabilidade, sem o menor senso de dúvida sobre o que parece errado nas coisas primárias que são capazes de enxergar. O homossexualismo crescente não pode ser questionado quando a população cega, de todos os gêneros, se submete a humilhações caras, pagas em boletos mensais sem a menor noção de investimento, sem quantificar o verdadeiro benefício do preço.

Os reis são os mesmos há algum tempo - usufruindo do excesso de poder que os homens não sabem dominar - e se lambuzam.

Ninguém questiona o escambo desregulado dos produtos doentes que consumimos, ninguém se interessa pelas verdadeiras causas do proletarismo escravo-mórbido-rotineiro-robótico-morto-inerte-desumano - exceto àquelas verdades ansiosas que passam nos comerciais.

Cansa ser vítima da cegueira dos outros, e cansa a sensação de impotência que dá ao ver a força extraodinária dos meios que existem para manipulação das massas. Cansa exergar demais e sofrer por aqueles que se preenchem com sonhos finitos e uma satisfação vendida à preço alto, embudida num produto eletrônico que os reis sintetizam como um instrumento máximo de felicidade, dando ao miserável o contato com o que sempre pareceu impossível.

São eles que comandam: os que nascem no suburbio, com o carimbo de submissão na mente, com medo feroz dos que tem poder sobre o pão na mesa e o leite na geladeira, com hora pra entrar e pra sair, com três ou quatro réplicas de pequenos ceguinhos para alimentar: esses, muitas vezes fruto de prazer barato e descuidado, sem instrução. Sim, eles não sabem procriar quando querem, e se sentem assim, sem culpa, sorrindo, como se aqueles pequenos seres fossem bençãos do céu, e afastam a possibilidade de, no futuro, ver os pequenos crescidos sem água, sem trabalho, se submetendo a superlotações em troca de sobrevivência. Imaginam neles a redenção futura da vida ordinária que vivem.

A molecada se apoia em verdades convenientes para poucos poderosos, afastados da nobreza do bem comum, alimentando um egoísmo burro gerado por energia finita fóssil não-renovável. Por quanto tempo os que afastam a neblina dos olhos terão de sofrer as consequências do descaso ao ensino fundamental? Por quanto tempo teremos que pagar três vezes para obter um só benefício essencial ( Governo + ( Garantia Privada + Governo ))?

Por quantas gerações a classe média imunda vai trabalhar cegamente para comprar presentes de natal, de dia dos pais, das mães, das crianças, de aniversários, de páscoa? Ainda, para renovar seus computadores, televisores, eletrodomésticos, gadgets, móveis e afins? Até quando vamos ser chamados de trabalhadores, ladrões, consumidores, da mesma laia, espécie de idiotas e cegos ordinários que custeiam uma ditadura tíbia, de forças ocultas e ventos invisíveis que sopram sempre contra os que enxergam?

Não seria uma boa hora de botar pra foder? Obrigado, Saramago.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

NÃO É UMA PENA?

Hoje é segunda-feira. Faz calor, e uma garoa de intensidade variável decidiu molhar o teto dos ônibus e das cabeças. A garoa pára, e a água evapora do chão como se estivesse em uma frigideira com fogo médio. Estou onde não deveria, fazendo o que não deveria, me preocupando com relações alheias, equacionando problemas sem solução imediata.

Este é o pior texto da minha vida, e não deveria. Guio-me pela sorte de um vento contra ou a favor. Guio-me pelo acaso e pela cegueira da qual todo mundo sofre, né, Saramago?

Não é uma pena? Não é de se envergonhar?
Como despedaçamos nossos corações e causamos dor um ao outro?
Como pegamos nosso amor, sem pensar em nenhum momento e nos esquecemos de devolvê-lo?

Algumas coisas demoram tanto, mas dá pra explicar?
Por causa de suas lágrimas, seus olhos não enxergam a beleza que os cercam!

Esquecendo-se de devolvê-lo...
Não é uma pena?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

DEIXE SEU RECADO OU LIGUE DEPOIS

Não fumo cigarro, nem cachimbo.

A ansiedade do vício não preenche as horas.

Arroz, feijão, salada, calabreza e fritas.

"Um comercial, por favor, com um suco de laranja, pra agora!"


Pago pra comer comida de bar, daquelas que duram horas no estômago.

E ainda está aqui, me fazendo lembrar do almoço na hora do jantar.


A chuva devolve a realidade. O céu nublado entrega a melancolia via sedex.

O sistema nervoso desregula, a cabeça coça sem Denorex.


A alma acha o corpo estranho e o mantém inerte, sem andar.

Como alguém que perde a sunga no mar.


Espero por um parêntese, uma emersão, um alento.

Levantar.

E continuar andando em silêncio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DOWN

É.

Somos frutos das nossas decisões, diria uma árvore temporal.

Olho a foto de um menino de 6 anos na parede, de ingenuidade pura e espírito indefeso.

Estudou a vida inteira, brincou como qualquer um.

Fez escolhas durante a vida: seguiu e ignorou conselhos. E é feliz?

Enfim.

Recebi a maravilhosa notícia de que o filho de um amigo nasceu, mas em pouco tempo esqueci: "Tá pronto? Tô mandando outro pra você, hein! E aí?"

A notícia caiu no esquecimento porque clientes mimados queriam coisas prontas no prazo.

A chuva, que deveria limpar a rua, fez brotar lixo dos boeiros, que enxarca as calçadas de sujeira.

E, inclusive, três miseráveis durante o caminho me chamaram a atenção: "Se puderem contribuir eu agradeço!" / "Um trocado para o alimento, senhor" / "Por favor, um minuto, garoto, vem aqui."

As decisões que tomei caem como uma lápide na cabeça, e me deixam tonto.

A tristeza domina, a carne é fraca e a gente se apega a qualquer vício.

A gente de desespera porque as coisas tomaram outro rumo, e os sentimentos que nos inspiram e nos dão confiança caem como um pão de forma com o lado da geléia pra baixo.

As filas quilométricas, a garoa na cara, as tarefas ordinárias, esqueço o guarda chuva, o sistema do bilhete único caiu, a senha do seguro não dá porque os bancos estão em greve, o seu ônibus vai embora quando você tá chegando no ponto. Sempre.

Quando as conveniências do sistema não funcionam, a gente se fode.

"Vou parar de andar com você. Você é muito zicado!" - minha namorada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOVOS SIMULADORES

E eu que achava que nada superaria os 'velhos' GTR2, RFactor e GP Legends...

Os simuladores de corrida estão subindo para uma nova dimensão, e a realidade dos gráficos, sons e movimentos continuando subindo de patamar. Impressionante!

Abaixo os simuladores da nova geração:

DIRT 2



NEED FOR SPEED SHIFT



FORZA MOTORSPORT 3



GRAN TURISMO 5


Gran Turismo 5 - Watch today’s top amazing videos here

PROTESTO SILENCIOSO

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ANDAR EM SILÊNCIO

Estou preparando este post mentalmente a alguns dias. E hoje é o dia de escrever:

No último sábado fui numa balada na Vila Olímpia, por consideração a uma grande amiga que estava aniversariando.

O lugar era limpo, organizado, caro e infestado de playboys e paties.

Olha, eu me acostumei a ir em lugares mais sujos, botecos, de som ruim e música 'no talo'.

Neste lugar, uma banda acústica tocava pop rock, e tocavam redondinho, formatado, sem nada de especial, de forma que qualquer um que entrasse ali achasse aquilo agradável aos ouvidos.

Impressionante como todas as músicas, diferentes na essência, pareciam iguais, tocadas sem alma, visando cachê.

Viver de música é diferente de viver para música.

Música é liberdade de expressão, é criatividade, e não pode ser podada para ouvidos de apreciadores supérfluos. ( Veja "Tony Wilson" )



Fui assaltado na última segunda feira pela 2a vez no ano. Levaram tudo que estava carregando.

Olha, depois dessa, foda-se tudo, saca? Eu não ligo para aquela Beretta 92 apontada para mim.

Eu não ligo se me tomam as coisas, se aquilo vai ser vendido e virar pó ou seda.

A violência e os insultos não me atingem. Fiquei calmo o tempo inteiro, sei que qualquer um vira Deus com uma Beretta 92 polida na mão.

O ponto é: me chamaram de Playboy, coisa que eu não sou.

Lutei muito para conseguir tudo o que tenho. Tenho 23 anos, e desde os 16 acordava 6 da matina para trabalhar, 8 horas por dia.

Estudei em escola estadual minha vida toda, fiz 5 anos de faculdade, pagando do próprio bolso o valor integral do curso.

Me submeti a idas e vindas de ônibus, todos os dias. Metrôs lotados. Ainda vivo essas situações que o brasileiro trabalhador vive no dia a dia.

Me submeti a superlotação de tudo, a falta de segurança.

Me submeti a ( falta de ) estrutura da cidade para suportar muitos países em um único lugar.

Estive trabalhando duro para conseguir tudo o que precisava para viver, sem luxo.

Só arte, suor, inteligência ( que todo mundo tem ) e sem desistir das coisas ( que não são materiais ).

E meu iPod foi junto. Na verdade, não era só um iPod. Era uma coisa que me transportava para uma outra dimensão através da música: longe de buzinas, sirenes, falatórios, gritarias e toda a loucura que cerca essa cidade.

Aquele pequeno esquipamento me levava aonde queria, onde meu estado de espírito queria estar, através da música ( que é tudo pra mim ).

Quando tomam algo de nós, em muitos casos, não levam só coisas materiais, infelizes, inertes. Levam um pedaço de nós, do que somos, do nosso espírito.

É isso. Vou conseguir um outro iPod, e vou reembolsar os outros pelo prejuízo que tive: mas o valor sentimental, de coração, que tinha por aquilo, ninguém, nunca, vai me devolver. Era como meu primeiro cobertor.



Tive sonhos estranhos recentemente.

Sonhei que estava bebendo com meus amigos, e cheguei numa praia, andando num triciclo, num estado lisérgico, com o céu repleto de auroras ao entardecer.

Tinha que cuidar dos meus primos, que estavam sob minha custódia, pois meus tios tinham ido viajar.

Cuidei mal deles, e ficou o arrependimento de que poderia cuidar melhor. Mas eles se divertiram comigo.

Depois que voltaram de viagem, fui com meu tio andar pelo estacionamento do condomínio dele, e ele reclamou de problemas no estômago, que estava comendo mal ( e muito ).

Depois, me apresentou um lugar diferente:

Animais de toda espécie, e principalmente, cobras, soltas, espalhadas. As pessoas viviam ali, juntas, desnudas, com um monte de frutas também, ali no estacionamento, mesmo.

Acreditavam que aquele estilo de vida, misturados a todos os animais e frutas, faziam bem para o espírito. Achei legal a idéia, parcialmente. Meu tio disse que todos os animais eram inofensivos e não fariam mal algum. Me sentia protegido.

Uma cobra me mordeu no braço e disse: - "Tio, uma cobra me mordeu aqui" - mas não sentia dor.

Ele pegou a cobra, bateu com a cabeça dela no chão e arrancou seus dentes.

Depois, entrei num ritual estranho. Todas as barracas começaram a desabar com as frutas, animais e pedaços de madeira. Todos tinham que correr por dentro das barracas restantes para não ser atingido.

E corri, corri. E acordei.

Outro dia, sonhei que estava na superfície lunar.

Peguei uma nave e fui parar lá.

Quando coloquei o pé na lua, escorreguei na camada de gelo e a gravidade me puxava para baixo, e dei a volta na lua escorregando, até parar no mesmo lugar que pousei.

Enfim.

Esses sonhos querem me dizer alguma coisa? Eu não pensaria nisso acordado.



Sei lá, a vida segue. Agradeço a força de alguns no momento atual, mesmo sabendo que não há nada a ser feito.

Me sinto um derrotado: desempregado, sem dinheiro, engordando, indisciplinado, roubado, juntando os cacos sem amanhã.

Vou chegar onde quero: não é um lugar longe. Não preciso de muito para viver.

Os dados ainda rolam na mesa, e continuo correndo na direção contrária.

Vou virar o jogo.

Walk in silence.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

DOIS MESES

1. Dois meses, quando se está parado, sem trabalhar, só se divertindo, são longos, muito longos. Vivi dois meses atemporais. Se estivesse trabalhando, seriam dois meses rápidos, sem cor. Me lembro de 1 de Julho, quando fui despedido, como um dia que se foi há muito tempo atrás.

2. Twitter e mulher não combinam. Essa coisa de mulheres manifestarem quase todos os pensamentos no twitter não é, definitivamente, saudável. Dificulta a leitura do que realmente interessa. Unfollow!

3. Olha, quando a gente tá fora da máquina corporativa, conseguimos pensar fora da caixa. São Paulo tá cheio de boas oportunidades de negócio. Jovens podem montar um restaurante, um bar, uma consultoria ou uma ONG com mais facilidade atualmente.

4. Sou o padrinho do ano. Ganhei uma afilhada e fui convidado para ser padrinho de casamento de um grande amigo meu. Satisfação pacas!

5. Aposentei minha barba, por enquanto. Cansei. Simples assim.

Sei lá. É isso.

domingo, 16 de agosto de 2009

COISAS SIMPLES

Depois de alguns posts de manifesto, vou falar de coisas simples.

Fui desligado da minha vida profissional temporariamente, e decidi aproveitar esse tempo me dedicando a rever pessoas.

Andei jogando futebol, e, cara, tinha me esquecido o quando isso é bom.

Tenho estado mais em contato com velhos amigos e, cara, que puta satisfação.

É meio nostálgico.

Você passa por uma fase difícil na vida, perde o contato de um monte de gente e, quando procura todo mundo, lá estão eles, com a mesma consideração.

Aliás, andei revendo meus avós. Nunca devemos desprezar nossas origens. Foi muito importante falar e conversar com eles.

Matei a saudade do frango cozido da minha vó, que é maravilhoso. Atualizamos as fofocas de família.

Olha, isso não parece grande coisa, mas é simples e valioso.

Já não vivemos mais a época dos imortais: aqueles que, através de suas obras, se imortalizaram e são estudados até hoje.

Vivemos a era do capitalismo, onde são rasos aqueles que detém o poder.

O trabalho, hoje em dia, para a grande maioria, se tornou um meio de vida. E os trabalhadores, para as indústrias, número e mão de obra.

Se, em troca disso, deixarmos de honrar e procurar nossos verdadeiros amigos, seremos meros ordinários e mortais.

Devemos procurá-los, nem que seja por uma época de vida, desocupada, como a minha.

Assim, seremos imortais ao menos para eles, e deixaremos algum legado verdadeiro neste mundo.

"Um homem que não honra sua família, nunca será um homem de verdade" - Dom Corleone, em "O Poderoso Chefão"